sexta-feira

bardos bestas

nós somos os bardos a bordo da falsa modestia
mentecaptos em festa
que uivamos em uníssono
somos os restos rotos de uma manhã fugaz
seres banais  em busca de algo
com sede fome sem dinheiro e algum amor 
somos o seu furor uterino
a remela do menino
a flor do meridiano 
a gamela das gerais
somos seres imortais nos caderninhos e nas cadernetas
somos bardos bobos tolos auspiciosos
a agua da chuva o leito da viuva
a vulva da noiva 
a lama o lema o dilema
nós bardos que estamos a bordo do espaço sideral
somos todos e nenhum
sou eu e mais alguns
que vivemos na simpatia do verbo
a cata da caça da palavra a qualquer hora do dia ou madrugada
somos bardos forçamos a barra e entramos singelos
por  qualquer porta ou janela
em qualquer ocasião
somos a antítese da coragem 
a nebulosa malandragem
somos eu e você
o caetano e o agepê
o axé e o arerê
a rita e a ivone
somos seres sem nome
somos bardos inglorios de um tempo inerente
um amargo doce
uma troça cafuza
somos o ditongo da medusa
cabemos numa estrofe coesa
difundimos sobre a mesa e acabamos aqui




quinta-feira

sei lá numero seis

a faca
o desejo
o riso torto
a cabeça a mil
e dois ou três palavrões
uma manhã aflita
fazendo fita
de boca cheia de saco cheio e todo resto
me canso me calo e me vou em rumo
sem
a ferida
a querida
os parcos trocados
o delirio
a roupa velha
o ano novo
as neuroses antigas
nem tudo como antes





domingo

sei lá numero cinco

eu queria uma vigarista
loira morena ou sei lá....
uma dessas
moças batutas
que se encontra num café de livraria mas que no fundo
nos identificamos
pois não valemos
nem 50 centavos
eu começo o domingo
num baticum
e termino
com dor nas costas e tudo o mais
e meu coração
dança 1 mambo
na virada de 2009

terça-feira

sei lá numero quatro

estou cansado
dessa chuva idiota
essa é uma cidade litorânea
litorânea captou?
eu ordeno um punhado de sol
pra
fazer
meus
poros
mais
amenos
tolo
tolinho
vai ficar tolhido
se doendo
porque a previsão
é que o mundo se acabe em 2012
será que existe praia na outra encarnação
deus nos ouça

sei lá numero 3

desvairado desavisado e sórdido
será que eu grito?
ou escuto bossa nova?
tudo a mesma bosta
não!
a sorte não está quer deixar recado?
é iminente
lance os dados
e entraremos em guerra
vou atacar a china
e tiro 1
um?
como tira 1 se jogou dois dados?

sei lá numero dois

a caixa com as colheres
da sobremesa
que abocanho 
depois da janta
estão guardadas
o meu âmago se esvai em tintas
e chove chove
e nada tenho pra fazer ou pensar
nada
queria sol
sol
e mais um bocado
falta trocados e pernas o guarda chuva tá furado
puta que pariu o que eu faço da minha vida?


sei lá

caótica afeição afoita
brincadeira de criança
falatório
todo dia de marasmo
coca cola e nostalgia
sem dinheiro ou simpatia
antagônica crueldade
tudo tem um toque histriônico
amplamente faraônico
no estilo farofa hard rock

segunda-feira

fóssil


Tenho sono e mais dois cigarros
                  Não tenho nenhum amor
 Nem um cartão de credito internacional
                                                       Sou do rio de janeiro
Por ser daqui nasci branco e fiquei moreno com o passar dos verões
                                                                A cara de pau 
Óculos de grau e um monte de historia pra contar
Um sorriso franco           um metro e noventa e tanto
                                                                                             E o que mais?
Não fui batizado 
crismado etc. e tal
Filho de marxistas, socialistas 
                                         flower Power

 Na manha da infância me deleitei
                                                                         Em Mauá sucumbia  
no sana despiroquei
Na crise dos vinte me mandei pra Bahia 
Axé shalom!
Chegando aos trinta encontrei a luz
E cá estou
Com sono sede 
fumando marlboro  
Sem amores ou  pudores
Amando o rock and roll a bossa e os quitutes de naná
Sou um misto de dois mil sabores
A mais fina iguaria 
feita por papai e mainha
Sai folgado e caprichoso
Chose de lock 
na lingua mater


 lelé da cuca
Carioca mestiço que ao nascer já deu enguiço
Botei pra quebrar causei maior rebuliço
Podendo ser assim
Curtir tanto um sedech de pessach

Ou um domingo de páscoa
E é isso sono fome sem amores e um cigarro em brasa 
me vou
o colchão aguarda toda minha prepotência

sexta-feira

carranca

de estômago vazio
não se pensa
não se cria
não vive-se
a fome não é zero
e sim
o comportamento
deus não da
nem deu
nem vai
se consome
e se corre 
atrás
de que?
mera ilusão
viver
e na panela
a alegria
de quem?
se eu pudesse
há
que coisa besta
não se cria
não se vive
não se consome
na vida
é lobo comendo o homem
e versa o vice
e todos festejam
onde corrompo?
e me vendo?
quem me vê
nem sabe ao certo
e tudo se acaba
com desejo e cheiros

sem essa numero 0

sabor estúpido 
de coca cola vadia
com teor parnasiano
um dia após
outros

de calores sórdidos
cai chuva e acordo na ânsia de sermos campeões 
não ganho por isso
mais há sabor
sou brasileiro
de um século que passou
a vista se perde através de óculos de grau
mansamente caótico



terça-feira

lá em acari



Deus fez o homem e a mulé
Cabral descobriu o Brasil
Pelé fez mil
E onde eu entro nessa historia?
Nem ao céu nem ao leu
Nem de quipá nem solidéu
Nem etíope ou comunista
Muito menos contundente
E onde nós entramos neste samba cafuzo?
A ralé do parangolé sabe qual é?
O tupinambá já sabe se já é?
O etrusco sabe cumo é?
Sadam  Hussein morreu na forca
O Joaquim José também
Porem 99 não é 100
Beijo na mariquinha
E pra espinhela  caída tenho uma simpatia

cagando regras

Estou no banzo
 no beiço
Apalpo os apupos sórdidos
Nada ao alcance de minhas mãos suaves
Neuroses tênues
Saborosa devassidão
E é tudo pelas tabelas
Tabulo o lógico
Pulo a poça e dou o beiço nos amores

fim

Dia de um dia qualquer de quase final de um ano do  século vinte e um
Dia solido estupendo
Desses de contos de fadas
Coisa rara na alma e na retina 

AHÃ



Só porque ando de Nike  não serei eu um socialista?
Socialista é o hot dog de 99 centavos

o chinês vende a um e meio seu pastel raquítico

Seu eu te disser que não te amo mais benzinho?

É triste a vida no hemisfério sul no século vinte um


Apesar de tudo ando feliz

Será que te classifico como poesia?
Quem irá me dizer o que se deve fazer?
Na vida tudo se sugere o resto se acata e the end.


bobagem


                                              
                     Eu só queria
Dormir
          Dormir
E dormir
E
Eu nem gosto
                      De filmes populares
                      E doce de batata
                      Sem graça
                      Supérfluos gorantes
                                                      E
                                                       S
                                                        T
                                                        I
                                                        L 
                                                         O
                                                               Bobagens tônicas
                      

maroto e morno

Fruindo com a cabeça oca
Desejando muito
Doce e com magoas
Sigo dolorosamente itinerante
Já se foram poucos anos
Tudo bem, mas nem tão certo
Ao ir me acorrento
Ao lugar farto de Dia afoito
Beleza em forma farta
Tudo ralo
E o dia estanca
Maroto e morno

domingo

frívolo

Na onda me vou
Encarnado e distraído
Vago
Dourando-me
Sendo anormal
Pessoas normais vêem big brother
As anormais escutam bepbop
Vou comer no prato que cuspi
A morena do horário nobre é altamente...
Não existem descrições
Continuar inventado novas palavras
Fervilhando  por dentro da pop onda
As carpideiras do século vinte e um choram gratuitamente vendo a novela das oito
É tudo gloria neste país calorosamente surreal
E onde termino este escrito?
Deixa estar...
A pororoca vem com força!

sexta-feira

hay ho

Existem esses árduos “ingleses” cariocas
Que cultivam a pele alva e o rock europeu
Não cultivo mau algum
o rock pode ser tupiniquim e será
Regurgito as regras crio demandas
Sangue polaco com mix de pernambuco  curtido ao sol de Ipanema
Presente
cá estou 

Cultivo as hippies dos séculos contemporâneos
Apaixono-me pelas punks
Bebo na fonte do rock samba

Hoje ando esguio limpo cheiroso cabelo cortado e etc e tal 
Continuo com a alma de um punk dos meu 15 anos mordazes
Algumas coisas prosseguem como dantes
Nem escuto mais os Dead kenedys, mas amo as moças dos Ramones e companhia
Tremenda covardia
E seguindo o rumo que tracei e desacato
Como sempre curtindo o barato que criei
Vou pelo caminho que conheço e me convém
Vou colocar na radiola meu camarada Jorge Ben


estéro

Estilhaço todo meu estilo e
Prepondero
Sumo no êxtase de deixar de existir
É tudo tão denso nesta manhã chuvosa
Sem alarde consumo café com leite e carrego o mundo na bagagem
Tantas bobagens
Os trocados da passagem e um bocado de sono
E me vou
Rumo certo cabeça a premio e desdenho
Abro o portão me lanço nesse dia feroz e estereofônico onde tudo é...
Nem sei adjetivar
Vontade de berrar
Mas só por dentro
O fim de tudo é lírico
E eu que não sou rico
Vou me lançar no risco
De tentar não saber de nada

podes crer

Eu li em teus olhos o medo de poder  me ter
E não consegues

No polegar um anel barato
Na cabeça uma pá de grilos

Na garganta sufocado um grito

Porque não guardar a magoa pra depois
E gozar em amplitude?

quarta-feira

flagelo

me perdi
me achei 
acabei na metade
tudo soa santo num dia manso
e acordo "pradiante"
me chamam de anjo benzinho e tudo mais
e o que sou?
me achei me perdi acabei de fronte
todo manso e absorto
por dentro dos teus botoes
sem absoluta valentia

são e solido

eu ando deslumbrado por ai
me confundo
e tudo o mais
faz parte da minha historia os pilotis
os ai e uis da caverna  do dragão
perdi a memoria numa esquina colorida
reencontrei domingo a noite
é tudo tão lúdico
e rio-me
lasco-me 
e profano

sábado

DELIRIO RUBRO

Ao som de qualquer rock

Esganiço

Tento qualquer enguiço

Demandas démodé de um pobre Zé

Que sou eu

Não me abandone jamais

E deliro e durmo sozinho

Quanto será a peleja amanhã?

Uma vez flamengo forever mengo

Porque se o mundo caminha em línguas de outras pátrias

Meu flamengo de Holanda jamais deixará de ser tição

Somos todos catiços mestiços filhos dos pretos árabes do farto lundu

que onda

E rio e danço
E enguiço
No rebuliço somos mais
Nós atemos ao acaso
Sambo e suo
 me esqueço
O garçom vem com empadinhas de queijo e camarão
Eu queria de palmito
Ordinário
Quero tudo que não posso

finis hominis

Rasgo o verbo na construção abstrata
Você diz-me babaca
E me calo
Sorrio enfastiado
Tu virás os olhinhos castanhos
E eu uivo e sorrio
Sem pudor
Você mansamente lava a louça
Questões insólitas deste século
Tudo tão iconoclasta
e nos comemos
E onde vamos parar?
Não sei não
Qualquer coisa bota a culpa no Sarney

domingo

perder de vistas

Quem tava no papo
Inteirou-se
Quem não ensimesmou
E gritou quem?
Não devemos dormir no ponto e se possível dormir de conchinha menos no verão é cada um por si no colchão de molas das casas Bahia
Porque a felicidade não é a prazo e sim a perder de vista


No lundu danço eu e dança tu
Esparrela demográfica
Da dinastia nagô
Meus avôs de umbigadas e quimbanda
De Luanda e alem mar
Pessoas fartas de quimera malandragem

De centelha esperta fez-se vida
Queridos seres pernetas
Malungos destemidos
Que da vida se fez alvo
Escapou mas não escapuliu
Da terra do pau Brasil
As pernas zigue zagueam no azougue sagaz
Do baticum ancestral, todavia perseguido
E continuam por ai ferozes até por dentro de mim
Buscando na malemolência um lugar ao sol ou somente um lugar a sombra, pois o sol nesta terra já é por demais


sábado

preciso de sal de frutas
de um xamego mordaz
de tudo mais
vou te dar uma colher de chá e beijo na boca
vamos a praia e as favas
por que esse dia de sol está atentando os meus pudores

nada alem

porque faz um calor feroz lembro de você
é um dia qualquer quente pra cachorro
e lembro de voce
sabe aquele filme?
não vi
aquele livro não li
mas saudades são tantas
e lembro daquele dia que ainda não te conheci
toda sentança uma moral
toda exatidão um carnaval

todo amor epopéia

todo filme pipoca
toda obra postuma

e onde eu me coloco?

segunda-feira

o ultimo toque do oboé calou fundo no mar de joão pessoa
eu nego minha dores
e existo em exaustão



o oboé já se foi e o coração se ilumina ao som de um tango
parte que amei deveras como netuno sem valia
mas a vida é doce temos que acreditar....
e iemanjá sorri no dia de los muertos
pro tio zeca in memoriam

sexta-feira

é tudo tão irrisório
lindamente
sou compulssivo desde a tenrra idade
por tudo
não se iluda
nem me iludo
as vezes sou muito doido
noutras
apenas sou muito

já é

sentir do mundo sabor de iguaria paraense
Do mundo se ter um intuito brejeiro
Dançar um xote em vez de hip hop
Ser cafuzo do hemisfério sul
Ser ao sul um mistério ocre

Não ter mistério ou ser apenas um mistério apenas

Ser doce porem selvagem
O coração alado tal qual musica de Jorge bem



Ser bem mais que uns e ser tão menos que outros
Ser vil e servir sem virilidade
Ser como poucos ter como todos
Distribuir mais a renda sem ter nenhum parco trocado



E no sonho sonhar que se está envolto em um parangolé como um negro mangueirense esgueirando na presidente Vargas da década de setenta e rir apenas rir e rir sempre até acordar e para alem



os amigos dos amigos

SÉQUITO