sexta-feira

questiono-me

e eu que  cai na vida tão novo
sumi do mapa com 18 anos incompletos
fui bancar o esperto
fazer coisas erradas 
e o que devia não vivi 
e agora que chega primavera
será que o coelho me regenera?

parapatibum

Alegria chula
Alergia nula
E numa boa fico
Queria dizer aleluia
Nem sei pra que serve
É final dos tempos
A vizinha escuta um funk pornô
Lembro Do meu avô
E é verão
Meus dentes nem tão brancos o susto e a preguiça
As horas passam o dia passa e o calor não

segunda-feira

ao sol

A vida é um Word que vai sempre alterando as configurações e quem não sabe mexer

Dana-se


Eu só queria chupar um sorvete de mangaba

Ou
                                   
      Você


       Na praia me deixou aflito
Com
              Aquele
                         Seu biquíni infernal

                 Que faço eu da vida?
Poderia passar ela todinha só observando seus gestos vis

não mangue

Não mangue de mim em horas incertas
O beijo aflito e o resto do queijo
Há horas tento entender e esqueço
 Ócio que destrói


Sinto-me omisso sinto teus ossos
Um som morno que sai da casa alheia
 Um abraço por trás e o que mais?

Gesto largo gosto amargo e os marimbondos que cuspo
De resto sós temores
Triangulações e futebol
É mais uma quarta feira abstrata

nomes

a minha vida já é
 eu nem sou por completo
acabei lendo um livro de auto ajuda que não me ajudou em nada
lembrei de maroca
endoideceu
com carinho e pudor
uma flor
escovo meus dentes ouvindo joão gilberto
bem que podia ser um filme do buñel
amanhã é de dia de feira
um peixe e um pastel
caldo de cana e passos lentos
por que é segunda feira
e vou como quem acaba de acordar

domingo

suspeito

com fé 
um café e papo furado

palavras o vento leva
não costumo caminhar

pego sol depois das quatro 
não amo a todos seres vivos incondicionalmente
mas um dia na vida por volta das três da manhã 
deixei  de mentir
e nem  era primeiro de abril

meu coração suspirou lentamente
 morri sozinho
não deixo viuvas nem filhos
mas memórias vastas de uma vida volúvel


quarta-feira

reza a lenda




Os olhos brilham
Com tremor remela e desejo
E eu?
Cuspo de lado estou atrasado
Pra onde mesmo que vou?

Surtiu efeito contrario toda feroz gratidão
O compasso elétrico
E o beijo estilo teleférico
Concateno as sórdidas mazelas
Por onde mesmo que ia?


Feito pluma  construo castelo onde  ninguém há de morar
Pedestre eqüino que sou me vou 

nem  lembro pra onde

voo Ali pra longe num ônibus espacial achar a masmorra perdida dentro do castelo de areia



A ode o ódio e o que me falta?
Saquei da carteira um santo preto que um dia me deu será que ajuda pra valer?


eu não

Alguém morreu ali
Vários

Eu desdenho

A vida se faz diariamente a noite também

A chuva não para as lagrimas não existem

Dentro anda tudo nublado
Sem risos ou comoções
Delírio psicótico caótico de mim
Menino mudo de 31 anos completos

Um passado recente me assola
Assombro

Há dor de existir e tentar
Eu coíbo todo escárnio

Exaurido por ser apenas mais um nesse mundo
obtuso
Bandeiras
caspa
Ano de decisões
Vou-me ou fico
Nasci pra ser não estar


centro de uns na mira de outras

uma cidade feroz


que constrói em mim a arte




que em cada parte é apenas um pedaço
e eu sem embaraço olho
pro cristo
lagoa 
cinelandia 
me acabo com um forte desejo de ir pra uma disneylandia  de bundas







por que é outono

nesse calor outonal 


                 suo


                        em alto e bom 
som

domingo

la mano de dios

Tudo poderia resumir-se  em tapas ácidos e arranhões
E uma saída de mestre estilo Maradona final de copa de mundo
E eu vivo de contar historias e nem recebo por isso

Sou bom no verbo e nos preceitos

Queria não estar totalmente faminto com uma fome que não sinto
Entende?
A água ta gelada e existe ainda uma certa amargura



Vou dar o pinote amaciar o papo com aquela menina
Só pra gastar minhas horas encardidas
Que de tão preciosas lava-se  com vigor e não sai o negrume
Chuto melhor com a direita
Só tenho uma boca e não sei piscar direito
Continuo  dando meu jeito



E sigo por ai por ruas tortas e ladeiras íngrimes com a  plácida certeza que vou por um caminho certo

sexta-feira

sigo-me

Ando por ai por onde andei uns dias
Lembro-me de coisas que nem sei
Meros causos apócrifos
Meros costumes da vida que passou
Por de baixo dos pés
Ruas que mudaram
Nomes que nem lembro
Cicatrizes meretrizes e assobios
Rio daquele dia quem nem lembro ao certo
Se eram dez ou só imaginação
Cada tijolo dentro de mim que fez bum
As perambulações e o espanto
Tenho fome e só
Há também meu riocard e a memória
E o que faço da minha vida se não recordar?

terça-feira

inexato

Extravaso minha extravagância
Já são tantas horas do dia seguinte
 Parolo sem parar
Engano só a mim e os outros fingem
Um calor dos diabos
Sem diabas sem quitutes sem noção
O relógio marca a hora exata de um tempo inútil
As dores do mundo fluem
 ...
Sou contínuo  de mim mesmo
 Lembro do Nelson Rodrigues e arroto
Meu pudor vou lavar e secar ao sol
Você virá comigo?
Eu entendo de futebol gosto de rock roll você vem sempre por aqui?
Já vou tarde
O tempo urge e você nem usa batom
Acordo cedo pra não fazer nada
E eu só queria
Passar o tempo
Pro tempo não me passar




domingo

mameluco soul



                  Sou apenas mais um                                                                
                                   
                                                                                          Índio dos trópicos


                                                                   Que de tanga tento ser                                        
                                                                             
                            
Sem apito e com carisma      

                                           
                                                                            Engabelo-me          

                                      lascando o verso
                                                                                 sigo prosa                                                    
                             
                                                                
                                 
 há   espera do verão 
                                                                                         



                                                                                                      






na casca do feijão
muita troça e trocadilhos
olhos nos trilhos
desejo de tudo
arrepio-me e contudo
não sei a hora certa 
nem de mais
nada
se seu santo é forte meu anjo da guarda é superman 
não ta bom
não tá
melhor deixar pra lá
e suar sozinho
rindo dos gracejos
deste verão de mil graus

sábado

charla charlatã

todo dia
dilema
todo dia
dia
horas fartas
fraco sois
nada se perde
perco-me
nada a declarar
só penso em ti completamente
nua
na vida a retina verde dos teus olhos me comeu na praia de ipanema
era fim de tarde
de uma quarta feira onde todos labutavam
e nos lutavamos
com palavras mansas

sexta-feira

bardos bestas

nós somos os bardos a bordo da falsa modestia
mentecaptos em festa
que uivamos em uníssono
somos os restos rotos de uma manhã fugaz
seres banais  em busca de algo
com sede fome sem dinheiro e algum amor 
somos o seu furor uterino
a remela do menino
a flor do meridiano 
a gamela das gerais
somos seres imortais nos caderninhos e nas cadernetas
somos bardos bobos tolos auspiciosos
a agua da chuva o leito da viuva
a vulva da noiva 
a lama o lema o dilema
nós bardos que estamos a bordo do espaço sideral
somos todos e nenhum
sou eu e mais alguns
que vivemos na simpatia do verbo
a cata da caça da palavra a qualquer hora do dia ou madrugada
somos bardos forçamos a barra e entramos singelos
por  qualquer porta ou janela
em qualquer ocasião
somos a antítese da coragem 
a nebulosa malandragem
somos eu e você
o caetano e o agepê
o axé e o arerê
a rita e a ivone
somos seres sem nome
somos bardos inglorios de um tempo inerente
um amargo doce
uma troça cafuza
somos o ditongo da medusa
cabemos numa estrofe coesa
difundimos sobre a mesa e acabamos aqui




quinta-feira

sei lá numero seis

a faca
o desejo
o riso torto
a cabeça a mil
e dois ou três palavrões
uma manhã aflita
fazendo fita
de boca cheia de saco cheio e todo resto
me canso me calo e me vou em rumo
sem
a ferida
a querida
os parcos trocados
o delirio
a roupa velha
o ano novo
as neuroses antigas
nem tudo como antes





os amigos dos amigos

SÉQUITO