exaspero meus poucos anos
inútil ser útil quando chove aos montes
por ai só rio mesmo sem querer
vasto quinhão um samba se repete
blusa amarela fico por aqui com o mundo a minha volta permaneço sozinho
aos mil volts ligado não abrigo
num canto em esperanto não digo amém
pornografia desmedida na madrugada cinza colore a solidão
eu de novo volto ao ovo e do leite expurgo o tédio ainda restam dez dedos e neuroses vis
conto até dez conto até dez conto até dez já são mil
palavrão e palavrinhas ecoam no meu cérebro oco
o jazz rodopia se esvai pela pia
vejo o mesmo filme melancólico
caguei regras roubei no jogo
Troco socos pusilânimes comigo as 6 e 20 da manhã
um dois três conto até 6000 mil pra ver onde termina minha paciência
mero marasmo de mais uma aurora
minha boca treme eu rio por querer não rir
mais de dez morenas fugiram da minha vida
mais um crepúsculo inóspito
ocasiões insólitas relembro minha operação de fimose da apendicite da janela que estilhacei
do meu amigo gay e dos amigos que não tenho
Quero toda água da chuva toda paúra que não tenho todas as gatas vira latas que miam sem cessar
peno-me apeno-me dentro de mim
vasto vaticino meus erros
lembro de minas gerais de uma loira de anos atrás de calcinhas bege
eu aqui petrifico meu unguento de fingir que sou
atento em ser moço ou crio neuroses de ser velho e já ter nascido quando não
feridas pungentes sem malemolência doí o quengo oco da madrugada feroz
sem sol sem riso sem dinheiro
com certeza custa caro o lírico lânguido sabor de existir
exaurido no crepúsculo sem adendos louco durmo e sei lá